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As experiências da escritora Paula Gomes

O livro “Ninguém morre sem ser anunciado” da Paula Gomes é uma das obras mais únicas que já li em toda minha vida. O estilo da sua escrita é tão fresco, tão diferente das coisas que normalmente lemos por aí… Admiro muito a sua criatividade pra inventar histórias que muitas vezes nascem de coisas completamente banais e terminam se transformando em acontecimentos totalmente sem pé nem cabeça! Rotina e caos, mesmice e surpresa, os elementos mais contraditórios se encontram em seus textos em uma mistura deliciosa.

Conheci sua literatura pelo Medium e logo com seu primeiro livro. O segundo já está comprado e esperando bonitinho lá no Kindle – não vejo a hora de começá-lo! Enquanto isso, descubro mais sobre essa escritora intercambiando dicas pelo whatsapp e gerando conversas como essa entrevista, na qual Paula compartilha sua experiência com a escrita, seus aprendizados e próximos passos.

Como você se chama e a que se dedica quando não está escrevendo?

Paula Gomes. Sou pesquisadora de cinema, divulgadora científica e tenho uma empresa de foto e vídeo.

Quando se descobriu escritora?

Acho que houve duas descobertas. A primeira ocorreu quando eu era criança. Gostava muito de ler e escrever. Escrevia umas histórias de ficção científica sem pé nem cabeça no computador, com uns parágrafos em vermelho, outros em azul, depois imprimia tudo e pedia pra minha mãe ler. Ela não lia nada, mas dizia que estava muito bom.

Gradativamente, fui abandonando a escrita. Fiz faculdade de rádio e tv, com a ideia de ser roteirista e, quando me formei, acabei seguindo a carreira acadêmica. Mesmo que eu tenha escrito durante todo o mestrado e o doutorado, eram textos acadêmicos, técnicos. Foi só depois de defender o doutorado, em 2019, que redescobri o prazer da escrita criativa novamente.

Sobre o que você escreve? O que te inspira?

Eu geralmente escrevo sobre os dias mortos, aqueles bem comunzinhos, nos quais nada de muito espetacular acontece. As rotinas, falas soltas. Muitos textos meus são inspirados em diálogos que ouvi e anotei para trabalhar nele depois.

4. Como você descreveria o seu estilo de escrita?

Eu gosto de emular as falas das pessoas. Acho que meu estilo é um pouco subordinado à oralidade, por isso é mais seco, sem firulas ou construções frasais rocambolescas. Meus textos são todos em primeira pessoa e a primeira coisa que faço é encontrar a voz daquele narrador. A maneira de se expressar, seu vocabulário… É daí que sai o texto.

5. Onde você publica seus textos?

Eu publico no Medium e agora estou publicando no Instagram também. Ano passado, publiquei meu primeiro romance, chamado “Ninguém morre sem ser anunciado”.

Quais são as suas principais referências?

Estou constantemente adquirindo novas, que vão se somando às antigas, formando uma lista desordenada e sem fim. Algumas:  Ottessa Moshfegh, Don Delilo,  Kurt Vonnegut, Coetzee, Elvira Vigna, Chimamanda Ngozi Adichie, Hilda Hilst.

Como é ser escritora independente?

É uma jornada dupla: escrever e divulgar. No primeiro turno de trabalho o escritor independente escreve, e no segundo ele tenta fazer com o que as pessoas leiam o que ele escreveu.

Quais foram os seus principais desafios nessa jornada?

Divulgar meu trabalho. Conseguir que meu conteúdo encontre um público, uma base de leitores. Não que seja um bicho de sete cabeças, só requer paciência e dedicação. Mas eu já percebi que não tenho um talento nato para isso, então preciso me esforçar mais. Estou buscando desenvolver essas habilidades, porque não tem outro jeito.

E as maiores conquistas?

Tem coisas mensuráveis, como um conto meu que foi finalista de um prêmio, o número de curtidas em textos do medium, de avaliações do livro na Amazon, Skoob e Goodreads… mas as conquistas que mais mexem comigo são as mensagens que recebo de leitores nas redes sociais, comentando sobre algum texto ou sobre meu livro. Comemoro todas elas.

Que escritores nacionais e independentes você admira e recomenda?

Nossa, são muitos. A denominação “independente” é um pouco abstrata, então vou assumir que são escritores que não foram publicados por grandes editoras: Thais Campolina, Carolina Bataier, Regiane Folter, Raquel Carvalho, Gabi Favarini, Guímel Bilac, Bruno Moura, Dayanne Dockhorn.

Quais são as suas 3 dicas de ouro para quem está começando?

1-  Não acredite que é só escrever, jogar em alguma plataforma (Medium, Instagram, Amazon) e pronto, no espírito “construa, e eles virão”. Invista no diálogo e colaboração com outros escritores e busque ativamente seus leitores.

2- Procure se desafiar com temas, estilos e formatos diferentes, para ir conhecendo e desenvolvendo sua voz como escritor.

3- Peça o retorno de outros escritores e leitores sobre seu texto, para entender quais são seus pontos fortes e onde pode melhorar.

Quais são seus planos para o futuro como autora independente?

Acabei de lançar meu segundo livro. O título é “a história termina com um carro vazando óleo no fundo do lago de um pesque-pague abandonado”.

Por onde o público pode acompanhar o seu trabalho? Redes sociais, etc?

Eu fico muito no Twitter (mais do que seria considerado saudável). Meus textos ficam no Medium e no Instagram. Meu primeiro livro você pode comprar por aqui.

Por Regiane Folter

Me chamo Regiane, tenho 28 anos e sou natural de São Paulo. Me formei em jornalismo e desde então trabalho com comunicação, principalmente produção de conteúdo e marketing. Tenho uma página no Medium, na qual publico periodicamente desde 2017, além de escrever para outros portais. Recentemente publiquei meu primeiro ebook de histórias curtas, AmoreZ, pela Amazon.

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