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As conexões do escritor (e facilitador) Zé Elias

Conheci o Zé Elias nesses encontros inesperados (e incríveis) que a vida de escritora independente proporciona: ambos participamos do podcast Rabiscos para falar sobre a auto-publicação, seus desafios, aprendizados e vantagens. Inclusive deixo o link do episódio aqui, pra quem quiser escutar😉 De cara gostei do jeitão tranquilo e simpático do Zé, que além de escrever também se dedica a ajudar outros escritores a publicar suas obras por meio da sua editora Estância.

Em pouco tempo percebi que o propósito do Zé é ser uma ponte entre artistas e profissionais da escrita com o objetivo de colocar mais histórias no mundo. Sua vontade de conectar ideias pra fazer coisas acontecerem é muito grande e me sinto afortunada de tê-lo conhecido. Atualmente estamos trabalhando juntos no projeto de publicar meu livro físico no Brasil e espero que essa seja somente a primeira de muitas colaborações🙂

Conheça mais do trabalho do autor de “Eu não, sei usar vírgula” nessa entrevista:

Como você se chama e a que se dedica quando não está escrevendo?

José Elias da Silva Neto, Zé Elias pra uns, Zé pra outros e Zezito para a família e amigos muito antigos. A atividade de escritor não é minha principal. Presto serviço de assessoria para autores independentes, em qualquer parte do processo de produção editorial ou literária: revisão, tradução, ilustração, diagramação e arte, intermediação com gráficas e plataformas digitais. Para os casos de revisão e tradução, conto com parceiros especializados. No que diz respeito às outras atividades, geralmente sou eu mesmo que faço, mas dependendo da demanda, também terceirizo.

Quando se descobriu escritor?

Nunca me vi como um escritor efetivo, apenas quando tenho inspiração para tal. Começou com um blog, que criei para contar aos amigos minhas experiências enquanto vivi na Alemanha. O Facebook, rede social que dá espaço ao texto sem limites, reforçou. Para o Instagram, transformei as frases em imagens. E aí passei a fazer assim também no Facebook e Linkedin.

Sobre o que você escreve? O que te inspira?

Escrevo sobre o que observo do mundo. O que me inspira é tudo passível de ser desconstruído, poetizado, ambiguado e, principalmente, satirizado. 

Como você descreveria o seu estilo de escrita?

Acredito que o rótulo do qual ela mais se aproxima é o hai-kai. Mas escrevo sem algemas. 

Onde podemos encontrar as suas histórias?

Este aqui é um link para os meus links. Meu livro, filho único até o momento, está lá na Amazon.

Quais são as suas principais referências?

A maior referência deve ser Millôr Fernandes. Meu pai era assinante da Veja nos anos 1970/80, na qual Millôr tinha um par de páginas. Não tenho uma natureza de qualificar preferidos; leio de Luís Fernando Veríssimo a Fernando Pessoa, de Dan Brown a Dostoievsky – ou pelo menos tento! Mas confesso que tenho menor interesse pela poesia e pela ficção e maior pelo biográfico e realístico.

Como é ser escritor independente?

É bom por um lado, porque o produto final tem mais a sua própria cara e a maior parte do ganho é sua, o que não acontece quando uma editora o assume. E pode ser entendido como “ruim” porque é preciso ser não apenas um mero escritor; terá que procurar assessoria para as várias etapas do processo, ou aprender a fazê-las: diagramação, arte, registro, colocação em marketplaces, divulgação…

Quais foram os seus maiores desafios nessa jornada?

O meu maior desafio é ter disposição para fazer uma divulgação mais “profissional”. Não me falta base nesse assunto; mas considere que me apresento como graduado, pós-graduado e vacinado contra Propaganda e Marketing. Tomei lentamente aversão pela profissão e pelo assunto. Não combina com minha natureza. De um tempo pra cá, em que a propaganda é muito pautada em redes sociais, é ainda mais difícil, porque eu sou um quase antissocial digital. 

E as maiores conquistas?

Como escritor de um único livro, a maior conquista foi ter visto que a mísera tiragem de 50 exemplares que fiz para ter comigo e vender para os conhecidos, e que eu esperava durasse meses (inclusive porque o livro está em pontos de venda no formato on demand), foi embora em duas semanas. 

Que escritores nacionais e independentes você admira e recomenda?

Tadeu Rodrigues, Chico Lopes, Esperanza Prado. Eu os recomendo porque os conheço pessoalmente, inclusive!

Quais são as suas 3 dicas de ouro para quem está começando?

A primeira é disciplina. Muita gente diz que tem vontade de escrever, mas não cria uma agenda pra isso. A segunda é estabelecer um momento de concluir. Livros podem ser muito subjetivos e, por isso, eternamente passíveis de se alterar. Comprometer-se com pessoas conhecidas dizendo uma data de lançamento é uma boa forma de se fazer isso.

A terceira, se é para autor independente, eu respondi já em outra pergunta: preparar-se para ser mais do que um escritor. Vai ser o juiz que apita o pênalti, o jogador que bate e o goleiro que defende, tudo ao mesmo tempo.

Quais são seus planos para o futuro como autor?

Meu próximo projeto será igual ao anterior: vou publicando coisas no Facebook e Instagram, meio que dia sim, dia não. E quando eu tiver um volume razoável, transformo em livro. Quanto a ser prioritariamente um escritor, só o tempo dirá.

Por onde o público pode conhecer o seu trabalho?No Facebook, Instagram e LinkedIn.

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