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A sinceridade de Carla Guerson

Uma das coisas que a autora Carla Guerson me disse quando nos conhecemos e que me marcou foi algo mais ou menos assim: não faz sentido existir competição entre escritores, afinal de contas ninguém lê só um livro em toda sua vida. A escritora não só acredita na importância de gerar conexões e comunidade entre aqueles que escrevem, como também age para fomentar essa comunidade através de seu podcast, coletivos literários e muito mais.

Conversar com a Carla foi uma delícia e vejo nessa entrevista os traços animados e sinceros dessa autora que há pouquinho tempo lançou seu primeiro livro 👏 Leia para conhecê-la e se inspire também 🙂

Como você se chama e a que se dedica quando não está escrevendo?

Me chamo Carla Guerson. Na vida real, sou mãe, servidora pública, gestora. Sempre fui leitora. Quando não estou escrevendo, estou lendo.

Quando se descobriu escritora? 

Antes de começar a escrever, eu comecei a inventar histórias na minha cabeça. Lembro de ainda muito novinha (talvez cinco ou seis anos) deitar na cama e passar muito tempo vivendo dentro da minha cabeça antes de dormir. Me lembro da sensação boa de viver essas coisas que não aconteceram e acho que isso foi o que antecedeu à escrita. Gostava de reviver as cenas do dia, de refazer algumas coisas que vivi, mudando os acontecimentos, os personagens, faço isso até hoje, é um hábito mesmo.

Tendo sido alfabetizada, encontrei nos livros parte da satisfação de viver uma vida paralela, prazer que carreguei por muitos anos e ainda carrego. No entanto, a leitura não dava conta de colocar para viver esses personagens que me habitavam. Foi aí que apareceu a escrita, que é meu jeito de compartilhar com o mundo as histórias que carrego e de tornar verdade as minhas mentiras (ou de tornar mentira as minhas verdades).

Sobre o que você escreve? O que te inspira?

O que me inspira: pessoas. Sou apaixonada pelas pessoas e pelo que elas carregam, os traumas, os medos, as maluquices. Gosto do diferente, do que aquela pessoa tem de especial, de triste, de nojento. O que sai do padrão, o que está oculto, o que não pode ser dito, tudo isso me interessa.

Como você descreveria o seu estilo de escrita?

Eu descreveria como sincero, mas a maioria das pessoas que me lê descreve como forte. Quase todos os meus textos tem algum comentário de um leitor que diz: que forte! Acho que é porque gosto dos temas polêmicos e escrevo sobre assuntos que muitas pessoas consideram difíceis. Mas, no geral, tenho uma escrita direta, simples e franca. Escrevo muito sobre mulheres e sobre os temas que nos perturbam e tenho uma inclinação pelo aspecto psicológico das personagens.

Onde podemos encontrar as suas histórias?

Eu estou publicando o meu primeiro livro esse ano, pela Editora Patuá: “O som do tapa”. Além disso, tenho textos publicados em antologias e revistas literárias (inclusive dois deles pela Subtexto, revista que eu amo!) e também publico alguns textos no meu instagram e no medium.

Quais são as suas principais referências?

Sou uma grande fã da Elena Ferrante e do estilo de escrita dela, do qual tento me aproximar. Dentre as nacionais, citaria a Aline Bei, que foi minha professora de escrita e assina a orelha do meu livro, uma grande referência para mim tanto como pessoa quanto como escritora, gosto muito do estilo e da sensibilidade dela.

Eu poderia dizer que todas as mulheres que li (e foram muitas), de alguma forma, são referências para mim. Participo de um grupo que se dedica, desde 2016, a ler exclusivamente obras escritas por mulheres e essa leitura tem sido essencial na construção da minha identidade como escritora. Na folha de agradecimentos do meu livro, inclusive, menciono a gratidão a todas as mulheres escritoras que me antecederam, por me fazerem entender o que tenho a dizer.

Como é ser escritora independente? 

Uma loucura e uma delícia. Me descobrir e me assumir escritora tem sido uma jornada incrível. O fato de ser independente não foi exatamente uma escolha, acho que é a porta de entrada de qualquer escritora nos dias de hoje. O mercado editorial não é muito aberto para iniciantes, especialmente mulheres. Por isso, a maioria de nós começa de forma independente, que é uma maneira de tomar nosso espaço, por meio dos nossos textos. Me orgulho muito de fazer parte desse movimento.

Quais foram os seus maiores desafios nessa jornada?

Achei que a parte mais complicada de ser escritora seria escrever ou concluir um livro, mas isso é apenas parte da vida de uma escritora. Publicação, divulgação, relacionamentos, redes sociais, são várias as questões a se administrar para que um livro chegue ao mundo e esses são meus maiores desafios hoje.

E as maiores conquistas?

A maior conquista seria a iminente publicação do meu primeiro livro, “O som do tapa” pela editora Patuá, que é uma editora que eu admiro muito e que tem uma curadoria sensacional. Também considero uma enorme conquista a rede de relacionamentos que construí. Hoje faço parte de dois coletivos de escritoras (@vagalumesnobreu e @coletivoescreviventes) e tenho muito orgulho de caminhar junto a essas mulheres que tanto me inspiram.

Que escritores nacionais e independentes você admira e recomenda?

Recomendo fortemente minhas colegas, integrantes dos coletivos acima citados. São mulheres incríveis, sensíveis e fortes, cheias de boas histórias para contar.

Quais são as suas 3 dicas de ouro para quem está começando?

1 – Escreva, sem se questionar o que virá. É muito difícil escrever pensando numa publicação ou escrever imaginando o que vão dizer do seu texto. Acredito que devemos escrever sobre o que vive em nós, para que seja sincero, digno, completo. Não dá pra ter medo de se expor, de se colocar.

2- Se puder, participe de oficinas, encontros e cursos de escrita. Além de ser importantíssimo na elaboração do seu texto e na descoberta do seu estilo pessoal, ajuda na construção de uma rede de relacionamentos com seus pares, pessoas que também estão escrevendo e publicando na mesma época que você.

3 – Assim que tiver algo a mostrar ao mundo, me manda uma mensagem que a gente marca uma entrevista no podcast para você me contar como foi seu processo de escrita. Adoro entrevistar escritores.

Quais são seus planos para o futuro como autora?

Tenho muitos planos, sou uma pessoa muito animada. Já estou trabalhando em duas histórias paralelas, uma delas será o meu próximo livro. As personagens já vivem na minha cabeça e tenho curtido essa fase de construir e descobrir a história. Além disso, tenho o podcast “Você, personagem” que está na sua segunda temporada, na qual entrevisto amigos, escritores e outras personalidades do mundo literário.

Por onde o público pode conhecer o seu trabalho?

Vocês podem me encontrar no Instagram e no Medium.

1 resposta em “A sinceridade de Carla Guerson”

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