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prosa poética

Morte em vida de um povo severino

Um povo, um país, uma estória…

Sim, estória (sem ‘h’ – fictícia), pois nesta prosa poética venho abordar um sentido figurativo para dissertar sobre o panorama sócio-político de nossa convivência pública e privava. Ouso dizer que os tempos atuais nos fazem pensar que a história (com ‘h’ – verdadeira), temos de reaprender a escrever.

Pois bem!

Apontem seus lápis, soprem os ciscos, empunhem suas brochuras, espirais, folhas enrugadas ou lisas, que a prosa já vai começar.

É sobre a morte em vida de um povo severino, se é que algo assim pode ser crível, ainda que seja pelo menos possível. É o que vemos, em função do percebemos, ao presenciar o que se passa no meio político recente, assim como no corre pela opinião alheia das mídias, pelos sujos costumes que escorrem no meio-fio desse povo boquirroto, em que se visa o legislar em causa própria, no que se faz à base da troca com troco.

Sobre toda forma de intolerância, que extrapola a ponta do consenso, de quando toda forma de violência ultrapassa a porta do bom senso e de quando se perde a ponta fina do certo e do errado.

Decerto que, não há mais razão de ser; não há mais domínio da sanidade; não há mais justificação do querer; não há mais sinônimo de dignidade.

Quanta falta!

Sequer sabemos realmente a quem chamar de ser humano, no sentido real e humanístico da expressão, por se notar que pessoas detentoras do poder público, passam a exercê-lo de forma mais unilateral .

Seria hoje a nova tendência de não compreender que as reinvindicações coletivas são mais relevantes que as convicções individuais/minoritárias?

Será que isso ocorre devido a impossibilidade de se ouvir as velhas súplicas do incomum cidadão comum? Ou será que é porque este é o único modo com o qual os fins jamais justificarão os meios?

Qual nada!

São as opacas cores da violência. Cor de pele preta versus cor de pele branca, camisa alvinegra contra a de mancha verde, bandeira vermelha contra bandeira verde-amarelo, barbicha cinzenta contra corpo colorido em arco-iris, e por aí vai…

Estes são sinais de tempos loucos, de ventos uivando em nossos ouvidos môcos, modos de dizer ‘não’ a tocos e ‘sim’ a cérebros ocos.

Qual seja!

Seja qual for, seja qual cor, não importa. Tão pouco importa qual a cor da grama. Para quem quer que seja, para qualquer um que veja, não conta.

Quem mais se importa é quem não mais se suporta. Dentro das cabeças residem ideias mortas. Ideais em decomposição destes reles mortais.

Quase não há mais certeza do que vale. O que mais vale é o ato, menos vale o fato. Mais vale ainda distribuir sopapo, do que bater papo.

Quem aguenta?

Mais vale bater panela, quebrar prato, botar fogo, queimar dinheiro parco, cortar na carne, partir ao meio. Denegrir a imagem, depredar o que é lheio, Cuspir na cara de quem não tem respeito, ferir a alma e o orgulho de um país inteiro.

Vemos tudo, mas damos de ombros. Vamos lamentar, talvez, um dia mais adiante – tomara não – caso estejamos diante de escombros.

O quê fazer?

Se onde existe o óbvio há quem traga a dúvida. Se onde existe a calma há quem solte o grito. Se onde existe clareza há quem deixe escuro. Se onde a vez do imundo é falar do mal lavado, se onde a voz da infâmia tenta calar a voz do renomado.

Enquanto a falsa cara da mentira suplantar a real face da verdade, a arrogância e a hipocrisia continuarão involuir nossa sociedade.

Ah, Pobre diabo!

Pobre homem-humano, sugismundo! Mal sabe a cova rasa em que está, porque aquela que deveria ter os sete palmos, acabou sendo porcamente medidos. Restou apenas esta parte que lhe cabe deste latifúndio.

Nota do escritor: admito que escrevo este texto com uma carga pesada de metáforas e metonímias, mas não tenho qualquer intenção em despeitar ou difamar a obra de meu conterrâneo João Cabral de Melo Neto – Morte e Vida Severina, cuja história (com ‘h’ – imortalizada em muito bem contada).

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