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prosa poética

Cristo nasceu preto e ressuscitou branco!

Cinquenta e cinco por cento da população é constituída d@s:

“Narizes chatos”

Cabelos Crespos

Pele escura.

Na rua, médico negro não tinha!

Advogado “preto”? Menos de um terço havia.

Jornalista de cor escura, nas emissoras de TV, a cada 100, um surgia.

Racismo no Brasil?

Nasceu menino, homem.

Não era preto e nem branco.

Era pardo.

Igual ao mameluco e ao cafuzo.

Foi doutrinado que racismo não existia.

Cinquenta e cinco por cento da população é constituída d@s:

“Narizes chatos”

Cabelos Crespos

Pele escura.

Na rua, médico negro não tinha!

Advogado “preto”? Menos de um terço havia.

Jornalista de cor escura, nas emissoras de TV, a cada 100, um surgia.

Oportunidades para os brancos são reluzentes.

Nas penitenciarias, tudo se invertia.

Madrugadas, prontos para o “lavoro”, nos coletivos, os “escuros” eram a maioria.

No país que teve Copa e a Olimpíada, a imprensa diz que preconceito é invenção de quem pouco entendia.

No esporte, são aceitos.

Os cartolas, “Cândidos”, de colarinhos “brancos”, declaram: esses “negros” mereciam ter almas “brancas”.

Na vila, na goma, na escola e na igreja, todos repetiam o que o patrão pedia: racismo é da sua cabeça, não existe.

A igreja até enganou ao esconder que Cristo nasceu preto, sofreu na cruz.

Os brancos testemunharam que Cristo ressuscitou branco para salvar os pretos.

Valeu! A salvação guarde para vocês, quem nos redimiu não foi o poder superior, foi a vida que nos ensinou a lutar pelo que é nosso.

Por Ednilson Valia

Ednilson Valia é jornalista há quase 30 anos, gosta de pensar, não admira pessoas que acordam cantando e estão sempre felizes. Para ele, a vida é uma causa perdida.

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