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crônica

Quem pode mais?

Meu gato Ronaldinho grita grita grita, pedindo pra sair da sala. Eu suspiro porque sei que ele vai sair e vai querer voltar dois segundos depois, eu sei que sim. Ele não quer sair de verdade; os dois sabemos que ele tá só querendo demonstrar o poder que tem sobre mim, sua humana leal, a que faz tudo que ele quer, quando e como ele quer. Tô cansada desse abuso. 

Decido resistir, me rebelar, aguentar firme. Não me mexo, finjo que não estou escutando seus miados estridentes. Preciso me concentrar no trabalho, parar de ir e vir cada segundo para atender as demandas desse felino autoritário. Isso não pode continuar assim, não mesmo. Dinho precisa aprender que nem tudo nessa vida acontece como a gente quer. Às vezes é preciso fazer concessões, entender o lado do outro, esperar um pouco. Ter paciência, ser tolerante. Realmente, não abrir a porta é a melhor lição que ele precisa aprender. Se não, onde vamos parar? Revolução dos bichos? Anarquia pura? 

Fraquejo e arrisco dar uma olhada em sua direção. Ronaldinho me encara sem piscar, desafiante. Reúne toda a sua confiança felina e grita de novo. Eu vou lá e abro a porta.

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