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crônica sobre escrita

Precisamos terminar, você me entende?

Tive um professor de escrita criativa que dizia que para escrever um bom conto a gente tem que sempre cortar a primeira e a última frase. Sempre que mando meus contos para leitura crítica, eu lembro disso, pois toda vez recebo esse mesmo comentário: final explicativo demais, tem que cortar.

“Mas eu já escrevo tão pouco. Precisa mesmo?” Eu penso.

Eu sempre quis contar histórias. E entrei na faculdade de cinema pensando em controlar todos os aspectos das minhas. Eu não queria deixar espaço para interpretações, queria que o expectador entendesse exatamente o que eu estava querendo dizer. Uma ilusão que foi desfeita logo nas primeiras aulas de teoria da comunicação, claro. Comunicação também é sobre o outro e ele vai se projetar nas suas histórias, você querendo ou não.

Talvez por isso mesmo, eu preencha os contos de redundâncias. 

Eu recapitulo; eu explico; eu retomo, para não deixar espaço para qualquer mal-entendido. Porque preciso controlar a situação, porque em texto é fácil ser clara. E eu preciso que você que está ai lendo, me entenda. Que não deixe nada passar, que pegue todas as minhas pistas. Porque eu gosto de trabalhar o texto nos detalhes.

Mas ai vem o final e bate aquela insegurança. Precisamos terminar, você me entende? E então eu busco um closure. Algo que explique e dê sentido a tudo que veio antes. Um encerramento. Uma frase de efeito. Um ponto final. 

(desculpe a redundância). 

Já na vida, muitas vezes arrasto situações que precisam sem encerradas, enquanto busco pela frase final perfeita. Acontece que ela não existe.

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