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No amor, a cachaça é mais importante que a fé e o dinheiro

Não basta a fé e o dinheiro nos emaranhados do amor, mas um conselheiro cachaceiro…

— Padre, quero um grande amor.

— Filha, reze dois Padres Nossos e contribua com a Igreja. Caridade sempre ajuda.

Passaram-se 90 dias e ainda solteira.

— Pastor, quero um grande amor!

— Irmã, orarei por você e deixe o seu dizimo, precisamos do seu carinho. A caridade chama pelos corações solitários. 

Outros 90 dias e o coração continuava vazio e como a fé não é pouca…

— Mentor, um amor, eu preciso muito.

— Querida, expulsarei esse espírito obsessor. Contribua com a casa, pois a caridade é infinita.

Três meses passaram e nada.

Cansada de buscar a fé, Ana Alice sentou no banco da praça, desanimada e chorosa. 

Não reparou que há cinco metros, estava um sujeito desengonçado,  jogado no chão e que  balbuciava algo. 

Ana Alice pergunta:

— O que o senhor disse?


O homem alcoolizado respondeu:

— Queridona, por que reclamas e choras?

— Quero um amor e amar. Já fiz de tudo, fui à igreja católica, na evangélica e até no centro espirita.

— Dona, você não gosta de ninguém?

— Ah! Tenho tesão pelo meu cunhado.

— Qual é o motivo para não ficar com ele? É melhor ter um “passarinho” na mão, literalmente, que nenhum.  O que a sua irmã não ver, não souber, não sofrerá.

Ana Alice não respondeu ao conselheiro e correu para a casa da irmã. Aproveitou que a “mana” estava viajando e amada e amou o cunhado como se a vida acabasse no outro dia.

Na semana seguinte, Ana comprou duas garrafas de pinga e um frango de “padaria” e levou ao sábio homem, morador do banco da praça.

Não basta a fé e o dinheiro nos emaranhados do amor, mas um conselheiro cachaceiro…

Por Ednilson Valia

Ednilson Valia é jornalista há quase 30 anos, gosta de pensar, não admira pessoas que acordam cantando e estão sempre felizes. Para ele, a vida é uma causa perdida.

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