Categorias
crônica

Natal

Um dia cheguei em casa e não era mais tomada de desobediência. Passei por todos, me sentei a mesa e observei o encanto, a pesada alegria que se estendia sobre a casa.

Cheguei em casa e não sabia mais que eu era. Era aceita, amada e feliz. Tentei por todas as formas de desfazer dos abraços fortes, dizem que um desses quebrou uma costela de minha bisavó, mas ela não discutiu, nem chorou.

Nesse dia que cheguei em casa eu estava do lado de fora me olhando pela janela. Queria estar na verdade em outro lugar. Num lugar de onde eu pudesse ver as estrelas, um lugar alto cheio de gramas, gelado e molhado de sereno. Um lugar fresco visitado por corujas. E do meu lado aquele que eu um dia amei. Já não sei se amo mais. Já não sei se posso dizer assim porque já faz muito tempo.

Ainda bem, graças a Deus meu pai, que esse dia eu vivi enquanto dormia, em sonho, e num susto de despertar esse dia acabou. E do meu lado ele estava. Me lembrei de tudo que passei para chegarmos até aqui, mas dessa vez, neste dia agora acordada, ainda o amava.

E como amava. Amava de tal forma que as estrelas estavam em seus olhos. A brisa me passava nos cabelos arrepiando a pele no sussurro de “te amo”. Num beijo simples, molhado e sereno. Um breve espaço de tempo, visitado sempre pela lucidez e maturidade, que só a sabedoria dos grandes relacionamentos traz.

Hoje já é Natal.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *