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crônica

Não estamos seguros

Um tributo para as 500 mil vítimas da Covid-19 e para as suas famílias.

Eu estava na academia e abri o Spotify para ouvir o novo episódio do meu podcast favorito: O Assunto, do G1, apresentado pela minha musa Renata Lo Prete. Quando apertei o play, eu sabia que esse episódio seria diferente.

O título do 478º Assunto era: 500 mil mortes, e o Brasil mais triste.

Apresentado eventualmente pela jornalista Natuza Nery, o podcast trouxe o quanto a pandemia do coronavírus trouxe mais dor, estresse e acima de tudo, tristeza. Os principais motivos são: o medo, a perda de muitas pessoas queridas, a situação econômica, o cenário político, entre tantos outros. Esse episódio me inspirou a escrever essa coluna.

Não é novidade para ninguém que estar presos dentro de nossas casas, impedidos de ir para os lugares que antes iríamos com uma maior frequência, além da saudade de encontrar nossa família e amigos, a carência foi o principal acompanhante nesse isolamento. Foi até motivo de piadas gostosas, o chamado “lockdengo”.

A carência que falo está vindo de muitas formas.

Carência de um amor, como eu mesmo passo. O encontro diário e constante com a solidão e a própria subjetividade nos fez querer estar abraçado a alguém. Não só para pessoas que vivem sozinhas, mas também para aqueles que perderam o amor de suas vidas. Pais, mães, avós, tios, tias, namorados, namoradas, amigos. Todos sentimos falta de se sentir acolhidos em meio a tantas ameaças externas e internas.

Carência de não ter medo. Pensar todos os dias que podemos perder a nossa própria vida nos assusta muito. Eu passei por isso, onde depois de um acontecimento na qual enfrentei o medo da morte de perto, minha paranoia cresceu e cresceu e cresceu. Eu sentia medo de não ter como reagir, de não conseguir ir em frente e realizar tudo que eu quero. A inexistência. O vazio. O escuro. O eterno. Esses pensamentos me machucaram, mas ao mesmo tempo me lembrou que a morte é a coisa para a qual ninguém está preparado.

A morte. O medo que todos estamos sentindo. Medo de morrer e não ter ninguém para te socorrer. Medo de morrer de fome, de frio. Medo de morrer por um vírus do qual a vacina chegou tarde demais. Medo de enfrentar a morte, no geral.

Esse sentimento de insatisfação e infelicidade que foi trazido no episódio do Assunto é nada mais, nada menos do que falta de segurança. Não estamos seguros nesse mundo. Estamos cansados do que acontece todos os dias, cansados de sentir medo, cansados de se sentir só. Às vezes, até cansados da vida e de nós mesmos.

E porque sentimos isso? Por que não estamos seguros.

Precisamos dessa sensação de estarmos acolhidos e quentinhos. É um sentimento que nos move, saber que estamos bem fisicamente e emocionalmente. Porém, a pandemia nos mostrou que, nos distanciando, os meios que encontrávamos essa segurança se esvaíram. Quando falo isso, eu falo sobre as 500 mil famílias que perderam um pai, uma mãe, uma avó, um avô, um filho, etc. Aqueles que realmente perderam as suas estruturas e que continuam andando em frente, um exemplo de resiliência que todos devem levar para a vida.

Por mais que não tenhamos aquelas pessoas que nos fazem sentir bem, podemos nos juntar por um bem maior e conseguir de volta essa segurança que tanto almejamos, por isso, use máscara, álcool gel, não fique em lugares fechados e com muitas pessoas. Se puder ficar em casa, fique. Quando forem se vacinar, assegurem que após o recebimento das doses, continue cumprindo os protocolos sanitários.

Estamos separados? Estamos. Mas juntos, conseguiremos passar por isso.

25/06/21511.272 mil vidas perdidas pela Covid-19 no Brasil.

Descansem em paz.

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