Categorias
crônica

Espelho, espelho meu, há alguém mais… feio do que eu?

Com certeza, meu espelho provavelmente me responderia. Assim como existe alguém mais bonito. A vida é assim. Ponto. Supere isso.

Ok, ok. Nenhuma afirmação é desse jeito, tão direto e reto. E nada que ouvimos por aí é, ao mesmo tempo, totalmente imune a exceções.

Provavelmente existem, sim, pessoas mais feias e mais bonitas do que eu. Mas, no fim, a questão nunca pairou sobre o fato de existir ou não gente com um aspecto pior do que o meu.

A pergunta que devo fazer é: eu carrego a aparência que quero? Ou então: eu gosto daquilo que vejo no espelho à minha frente?

Outro dia, vi meu reflexo no espelho do elevador. Entrei apressado, mexendo no meu celular e, quando cheguei ao térreo, dei uma espiada antes de sair. Nossa, como estou horrível hoje, pensei imediatamente. Talvez essa constatação tenha me motivado a refletir.

Nesse dia do elevador, lembrei-me de que havia lido em algum lugar que primeiro precisamos gostar da nossa aparência para que os outros também gostem. Eu logo refutei esse pensamento. Por um lado, admito; é importante que gostemos do nosso exterior. Mas nós sabemos que nosso amor próprio nunca vai ser suficiente para que todos nos aprovem. Nada vai ser.

Isso também não quer dizer que, já que podemos não corresponder às expectativas dos outros, devemos jogar a toalha e parar de ligar por completo para as opiniões de terceiros.

Não basta nos submetermos apenas ao nosso próprio crivo para sermos felizes. Afinal, não vivemos em uma caverna e os feedbacks dos outros podem ser gentis e podem muitas vezes nos ajudar.

A propósito, dizem que é impossível ser feliz sozinho. Será? Talvez sim. Talvez não.

O meu ponto é: nunca passaremos ilesos pelo julgamento dos outros. Não importa se estão julgando nossa aparência ou qualquer outra característica nossa. Mas isso não significa que devemos nos considerar independentes.

Eu não acho que devemos dispensar completamente a opinião dos outros. Da mesma forma que também acredito que não devemos desistir e largar mão da nossa vaidade simplesmente porque sempre haverá alguém apontando o dedo na nossa direção.

Sei lá. Precisamos superar nossas inseguranças? A nossa dependência da aprovação dos outros? Na teoria, sim. Na prática, isso não é possível.

Contudo, ainda que reconheçamos os nossos defeitos e a nossa incapacidade de agradar a todos, precisamos nos agradar. No fundo, antes de olharmos o nosso reflexo, já sabemos se vamos ficar felizes. O espelho, afinal, nos mostra o que já enxergamos com nossos próprios olhos. E com a nossa mente.

Não somos os melhores nem os piores mundo afora. Mas somos os únicos com quem realmente podemos contar. Podemos agradar a alguns, mas, se não formos gentis conosco — o que não significa ignorarmos nossos defeitos — talvez não fiquemos satisfeitos com nada.

Ah, no domingo passado, eu peguei o elevador de novo e me deparei comigo mesmo mais uma vez. Observei meu reflexo e não é que gostei do que vi?

4 respostas em “Espelho, espelho meu, há alguém mais… feio do que eu?”

Olá, querido Guilherme Formicki. Tudo bem?
Eu gostei da sua crônica. Me lembrei de algumas conversas que a gente teve sobre aparência, auto aceitação e aceitação por parte dos outros, em especial, por parte de quem nos atrai. É muito difícil para mim. Eu já fiz de tudo para tentar dar um Up na minha autoestima. Hoje mesmo, eu me olhei no espelho e não gostei muito do que vi. Na verdade, eu nunca gostei… Queria poder não me sentir assim. 🙁

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *