Uma pesquisa recente sobre testes de QI indicou que as novas gerações, a chamada geração digital, é menos inteligente que as gerações anteriores. Evolutivamente, se espera que a próxima geração possa aprender com a evolução tecnológica e ser mais inteligente que a anterior. O fluxo natural deveria ser, a geração atual aprende com a anterior e a próxima geração evolui com o conhecimento produzido pela geração atual e “assim caminha humanidade”, como diz a canção.
O resultado dessa pesquisa é preocupante em diversos aspectos e acredito que ainda não temos noção do impacto dessa constatação, a princípio por não ser a nossa geração a sentir os prejuízos desse tipo de descoberta. A geração anterior a nossa não foi exposta a de diversos algoritmos de recomendação cujo único objetivo é manter os usuários de redes sociais grudados nas telas constantemente ou a maior parte do tempo possível. No geral, entregando um tipo de conteúdo considerado no mínimo ofensivo ao cérebro.
Não estou afirmando que todo conteúdo produzido nas redes sociais é ofensivo ao cérebro. Existe material de muita qualidade produzido por pessoas de conhecimento e experiência comprovadas em diversos campos de atuação. No entanto, o objetivo dos algoritmos de recomendação de vídeos, que estão moldando nossa sociedade, não é entregar o conteúdo mais propenso a evoluir a próxima geração. O objetivo é prender a nova geração o máximo possível nas telas, para isso os algoritmos vão continuar entregando aquilo que mais agrada ao usuário. Na maioria das vezes esse conteúdo não exige muito do cérebro. Aprender algo útil é uma tarefa difícil e custosa. O cérebro vai buscar poupar energia e preferir o mais simples, como por exemplo, conteúdo relacionado ao entretenimento.
Minha geração pode contar com a produção de conhecimento de gerações anteriores, pelas mãos de diversos cientistas que não tinham acesso a dispositivos digitais viciantes, como os dispositivos de hoje.
Por esses cientistas, pesquisadores e artistas não terem perdido tempo para algoritmos de indicações de vídeos em plataformas sociais, hoje temos os avanços percebidos em Inteligência Artificial e demais campos das artes e ciências.
É até um paradoxo que, pela ausência das telas e redes sociais no passado, hoje temos um excesso de telas e redes sociais no futuro.
Eu fico me perguntando quantos Einsteins, quantos Leonardos, quantos Shakespeares, quantos Bachs e Martin Luther King Jrs as gerações futuras estão perdendo. Faça um pequeno exercício de imaginação comigo. Se Albert Einstein tivesse perdido tempo em vídeos nas redes sociais, talvez não tivéssemos a Teoria Geral da Relatividade que nos permite hoje ter um Sistema de Posicionamento Global (GPS da sigla em inglês), para citar algo que você deve usar ou já usou no seu dia a dia.
Imagine se Marie Curie, também fosse vítima da busca desenfreada por likes nas redes sociais, nós não teríamos diversos avanços na área de radioatividade nem formas de combater o câncer como a radioterapia.
Essa preocupação deveria ser suficiente para gerar uma mobilização social, uma revolução, uma Renascença Digital. Essa mobilização buscaria uma coexistência saudável dentre arte, ciência e tecnologia de forma que não prejudicasse as próximas gerações.
Por enquanto meus netos vão continuar tendo como opções: admirar a Monalisa, produzida pela geração anterior a minha, ou as “dancinhas” da rede social, produzida pela geração posterior a minha. Escolha difícil.

Nascido em João Pessoa na Paraíba. Professor, cronista e contista. Doutor em Ciência da Computação. Apaixonado pela escrita e pela capacidade de criar mundos e conduzir pessoas a esses mundos através das minhas histórias. Sempre em movimento.






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