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A arte de falar de si e dos outros

Começo essa crônica dizendo que não estou fazendo crítica, mandando indireta ou promovendo algum tipo de desabafo. Venho apenas trazer uma reflexão pessoal e fortuita.

O que de algum modo, venho admitir que somos exímios oradores quando o discurso é feito em tom de “autocrítica”, isto é, quando estamos falando de nós mesmos. Mas também somos especialistas na arte de expressar adjetivos, definições e descrições livres quando vamos falar dos outros.

Trocando as palavras, quero dizer que gostamos de falar de nós mesmos e adoramos falar dos outros.

O que soa mais tendencioso em nossas inconscientes falas é que quando é pra falar de si próprio, cada um sabe falar normalmente pelo lado positivo. Isso já não ocorre com naturalidade quando é pra falar de outra pessoa. Há sempre uma tendência em puxar pelo lado negativo.

Se estamos sozinhos, falamos (ou pensamos) mal dos outros. Muitas vezes no intento de culpar outros por algo que nos afetou ou nos afeta em determinado momento. Falamos sim, em pensamento, lembrando ou palavreando a nós mesmos.

Falamos muitas vezes para encobrir nossas fraquezas, outras vezes para disfarçar nossas incertezas. Ou simplesmente porque é fácil falar dos erros alheios, enquanto de nossos próprios erros, melhor esncondê-los.

Se estamos em grupo falamos mal dos outros. E falamos sério, mesmo se estivermos rindo, falamos alto, falamos baixinho, aos cochichos, ou com piadas… é praticamente a farra da língua solta!

Falamos muito mais vezes dos outros porque falar da gente mesmo é algo que chega a ser cansativo, tanto pra nós mesmos quanto para quem está ouvindo. Por isso economizamos ao falar de si e gastamos verbos ao falor dos outros. Sei que soa repetitivo dizer assim. Mas acho que alguns de vocês vão concordar comigo.

A psicologia tem comprovações científicas de que cada indivíduo tem como especialidade o discurso pronto para se defender em causa própria, independente se for para o bem ou mal, que chega a ser prazeroso.

Gostamos de falar sobre nossas vidas, nossos hábitos, nossas viagens, nossas lembranças, nossas mazelas, angústias, conquistas, grandes feitos do passado, etc. Porém nem sempre agrada a quem está ouvindo. Enquanto que falar mal dos outros é de graça, engraçado, descartável, não cansa e até poder ter alguém pra acrescentar alguma coisa, sai de modo espontâneo.

Falar mal dos outros faz o tempo passar,  no privado ou em grupo, em rodas de pessoas. E normalmente quando falamos mal de alguém costuma ser de quem não está presente. Até porque, se este alguém não vai poder apresentar sua versão, nossa fala se fará valer como a verdade do ato.

O oposto disto é que percebe-se um ar de constrangimento quando estamos falamos bem de alguém que está presente. Este alguém costuma ficar sem graça. Assim a conversa, o assunto costumar durar pouco tempo.

Em outras poucas, o ser humano se sente bem falando, conversando, comentando. É ato normal e natural. Mal ou bem, não tem jeito, falamos! 

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