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O ano que não começou

“Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro” era o grito de fúria de Belchior na sua canção de 1976. Mas o que poderia dizer o cearense de Sobral de um ano que não começou? 2020 é o ano que não poderia entrar nos calendários, um ano jogado as traças, perdido num caminho sem volta e sem sentido, um ano com cara de realidade paralela, um Big Bang fora de época. O planeta girando numa guerra contra um inimigo invisível, sem fuzis, sem mísseis, sem encouraçados ou caças, mas com um poder letal que, apenas no brasil, de quase metade de Hiroshima e Nagasaki. Leia mais

Crônicas

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    Dá pra ter saudade de alguém que você não conhece? Não sou especialista em saudade, até porque na minha língua materna esse conceito não existe. Temos, isso sim, palavras com significados parecidos: Heimweh (saudade da […]

Sobre escrita

  • O florescer dos imortais, Lia T. Medeiros
    Nesse momento se fascinaram um com o outro. Mas também foi esse o momento em que seu destino fora decidido. Sua missão era um ter matado o outro no segundo em que se viram. Eram […]
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    Se tem uma coisa na qual eu acredito é que temos muitos bons escritores brasileiros contemporâneos. E como nossa ideia aqui é fortalecer a todos, não podia faltar um post indicando bons livros que nossos […]
  • Vilão
    Eu amo vilões. Desde os vilões dos filmes da Disney aos das séries atuais. O vilão é o personagem que define o herói, diz o autor Dan Brown (O Código Da Vinci) e para mim, […]

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  • Dias em pandemia
    Só vejo as paredes, as janelas e o mudar das estações. Não sei mais como são os cheiros, as vozes e os toques das pessoas que eu amo, que antes eu costumava ver uma vez que outra. Parece que agora eles são fantasmas de um passado distante. De uma vida que já não existe mais, […]
  • Memórias congeladas — e impróprias para crianças
    Todo mundo tem uma memória congelada. Descolada, vagando à deriva. Sim, tipo um iceberg. Vou contar a minha. Numa manhã de sol, estávamos eu, meu pai e minha mãe no carro, a caminho do litoral. Eu devia ter uns seis anos. Sete talvez? Meu pai colocou no CD player — o famoso toca-fitas — do […]

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Selecionamos alguns para você conhecer

Uma música, um conto: Quem foi Eleanor Rigby?

Eleanor ia pegando grão por grão com uma atenção imutável. Estava ajoelhada na escada de pedra úmida, mas parecia não se importar com a mancha escura que ia se formando em sua saia. Inclinada para frente com as costas formando uma corcunda, ela observava atentamente as comissuras escuras da pedra molhada de orvalho em busca de mais grãos de arroz para guardar em seu cesto. Os cabelos se desprendiam do laço e caiam ao redor de seu rosto, uma cortina impenetrável que escondia sua face excessivamente magra.

Regiane Folter